A análise

    Atualmente nas novelas os negros tem marcado presença de forma limitada, visto que estes sujeitos no Brasil tem recebido poucos papéis nas telenovelas, mas não o suficiente para terem lugar de destaque. A emissora aqui analisada exibe atualmente em sua programação cinco novelas, destas, apenas quatro são atuais. A proposta de análise deste atrabalho foi construída com base nas quatro novelas atuais, e intituladas da seguinte forma e na seguinte ordem de exibição: Malhação, Sete Vidas, Alto Astral e Babilônia.
    Espera-se que através desta análise possamos compreender qual é o lugar dos negros nas atuais novelas da Rede Globo de Televisão, pois em um primeiro momento, podemos vizualizar personagens negros e negras esporádicamente e em  um número inferior aos personagens brancos, que na maior parte dos casos são os protagonistas.

    E a fim de realizar os objetivos propostos no início deste trabalho seguimos para os dados. Ao analisar as quatro novelas notou-se que a presença dos negros nesta era considerável em apenas uma a novela, intitulada Babilônia o elenco desta produção é composto por quarenta e nove atores, sendo doze negros, ou seja: 24,4 % do elenco, e entre estes uma das protagonista, mas isto deve ser considerado um dado significativo em relação as outras três novelas, visto que em uma delas, a novela das seis – Sete Vidas- nem aparece a presença do negro de forma alguma e a totalidade do elenco desta novela é de trinta atores.

      Além desta duas novelas, as análises se direcionaram para outras duas, a novela das sete, denominada de Alto Astral e a novela de caráter juvenil Malhação que é a primeira a ser exibida após as 17:00 horas.

      Em relação a novela Alto astral, podemos dizer que a presença do negro é pequena, comparada com da novela Babilônia, pois o total do elenco é de quarenta e sete atores, sendo apenas cinco negros, que correspondem á 10,6 % do elenco. E na novela malhação, o elenco é de quarenta e um atores, sendo apenas seis negros, ou seja 14,6% dos atores.

            Estes dados nos mostram o quão pequena é a participação dos negros nas novelas comparada aos brancos, mas isto é pouco questionado pelos telespectadores, pois este gênero midiático "está presente na vida dos brasileiros desde o ano de 1951 "(CZIZEWSKI, 2010, p.01), sendo assim, podemos dizer que o público que garante a audiência destas programações, já naturalizou os processos discriminatórios e de invisibilidade dos negros.

    Os personagens negros que atualmente fazem parte das novelas analisadas totalizam vinte e três, mas a problematização enfatizará os personagens vividos por negros que tem um papel com visibilidade na emissora em questão.

Os personagens analisados foram os seguintes:

Novela Malhação

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Na novela malhação, os seis personagens são interpretados pelos seguintes autores (na ordem das imagens): Jeniffer Nascimento (Sol), Edvana Carvalho (Bete), Ademir de Souza (Simplício), Lellêzinha (Guta), Ramon Francisco (Rico), Antônio Carlos (Wallace). E dos seis atores que compõem o elenco negro da novela juvenil, apenas três tem um papel considerável, Jeniffer Nascimento, que interpreta a personagen da joven, negra, moradora da favela, que tem o sonho de ser cantora, mas vive envolvida em confusão. A segunda negra que tem visibilidade na novela malhação é Edvana Carvalho, esta atriz vive o papel de Bete (mãe de Sol), uma doméstica, moradora da favela, enganada por um senhos rico e loiro que promete ser honesto desde que chegou na novela, vivido por Odilon Wagner. O terceiro protagonista que mostra seu rosto e seu talento em Malhação é Antônio Carlos, este ator interpreta o personagem Wallace, um joven negro, morador da favela, sofredor e que tem o sonho de ser lutador. Os outros três atores Ademir de Souza (Simplício), Lellêzinha (Guta), Ramon Francisco (Rico) aparecem de forma esporádica na novela, os dois últimos como estudantes bolsistas integrantes de uma acadêmia de artes que exalta as protagonistas brancas, magras e de cabelos lisos.
    Os personagens negros são representados em malhação com o estereótipo dos negros favelados, que serve famílias brancas, que tem sonhos e que são constantemente enganados, sendo assim, podemos considerar que:

"os negros são representados de maneira estereotipada como se isto fosse uma verdade dada a priori e aceita pela sociedade como justificativa para admitir que a inferioridade dos negros parece ser incontestável" (PEREIRA; GOMES, 2001, p. 49)

    E o pior é que a sociedade já aceitou esta verdade, tanto que os negros sempre são representados desta forma. Mulheres negras como empregadas domésticas, jovens negras como sonhadoras, meninos negros como morador de favela, envolvido no mundo do crime, ou com o sonho de ser jogador de futebol; neste sentido devemos reconhecer que o diretor da novela Malhação "inovou", ou melhor, se apropriou de um assunto em evidência, lutas e MMA, para vender uma imagem de um carente promissor que tem sonhos e um caráter exemplar.



Novela Alto Astral
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    O elenco de atores negros desta novela é composto por: Ana Carbatti (Aurélia Duarte), Sérgio Malheiros (Emerson Duarte), JP Rufino ( Adeilson Duarte -Azeitona), Débora Nascimento (Sueli Caldas) e Lana Guelero (Lucia Garcia).
    Esta novela é exibida no horário das 19:00 horas e tem um elenco negro que tem bastante visibilidade na novela. A autora Ana Carbatti, interpreta a personagem Aurélia Duarte, que é empregada doméstica de uma família rica e branca e é amiga e conselheira da filha de sua patroa, relação esta que remonta o cenário do período escravista, a sinhá e dama de companhia (negra). Aurélia vive com seus dois filhos de favor na casa em que trabalha e sempre que aparece em cena está sofrendo, aguniada ou consolando a sinhá/amiga. Aurélia tem dois filhos e uma filha. Os autores que interpretam seus filhos são: Sérgio Malheiros (Emerson Duarte), JP Rufino ( Adeilson Duarte -Azeitona), Emeson é um menino negro que tem o sonho de ser nadador profissional, tímido e apaixonado por uma moça branca e rica, ele vive sendo perseguido por armações que querem o humilhar e separá-lo da amada, este personagem é o retrato da passividade, característica que era utilizada para descrever os escravos domésticos no período escravista.
    O outro personagem negro é de um menino (também filho de Aurélia), o Azeitona, interpretado pelo ator JP Rufino este é o resquício de autonomia que o autor da novela certamente incorporou a obra sem pensar no papel deste para a emancipação da criança negra como figurante ou complemento de atores negros, Azeitona é uma criança que tem dons mediúnicos e tem uma personalidade nem um pouco dominada, fala o que quer, como quer e é um dos poucos personagens que tem a visibilidade que os atores negros realmente mereciam.
    Além de Azeitona e Emerson, Aurélia tem uma outra filha, Sueli, interpretada por Débora Nascimento, esta autora é a vilã da novela e sempre que pode destrata a mãe e os irmãos, Sueli é o retrato de uma personagem que faz qualquer coisa para se dar bem, inclusive negar a própria família. Analisando a imagem que esta personagem transmite, podemos dizer que é uma pessoa egoísta e sexy, sendo esta última um estereótipo que acompanha as mulheres negras há muitos anos e que teve origem no perído escravista, pois muitas mulheres negras eram utilizadas como objeto sexual de seus senhores brancos.
    No caso desta novela a semelhança é visível, pois o vilão Macos( interpretado por Thiago Lacerda) usa constantemente a personagem negra de Débora Nascimento, para conseguir realizar seus planos e seus desejos (ambos são amantes).

 
 

Novela Babilônia

 

    Esta novela tem como protagonista uma atriz negra, porém já consagrada em âmbito artístico, Camila Pitanga, que vive a moradora do morro da favela da Babilônia, mãe solteira, arrimo de família, foi enganada uma vez por um homem casado, loiro de olhos azuis que a engravidou. No decorrer da novela a personagem que atende pelo nome de Regina vive em situações embaraçosas, pois no início da novela a sua mãe tinha sérios problemas de saúde e o pai foi assassinado por questões financeiras.

    E após analisar o papel desta personagem, podemos dizer que uma protagonista negra não aparecia na Rede Globo desde 2009, quando a atriz Thaís Araújo interpretou a protagonista Helena na novela de Manoel Carlos, Viver a Vida. E antes desta novela, mas ainda em 2009, o papel de protagonista negra foi incumbido a Camila Pitanga, na novela Cama de Gato. Algo que é importante colocar é não apenas o fato das duas protagonistas serem negras, mas o fato de uma (Thaís Araújo) ser constantemente humilhada pela família do esposo, uma família rica e branca e a outra protagonista ser mãe solteira e moradora de periferia, mas as histórias se relacionavam na medida em que os diretores homogeneizava as personagens, negras subservientes, moradoras de periferia e vítimas de traição por parte dos companheiros.

    Em relação aos outros personagens da novela, estes são interpretados por: Camila Pitanga (Regina), Sheron Menezes (Paula), Sabrina Nonata (Júlia), Virginia Rosa (Dora), Val Perré (Cristóvão), Juliana Alves (Valeska), Kizi Vaz (Gabi), Cauê Campos (Carlinhos), Peter Brandão (Wolnei), Marysheila (Ivete), Marcello Melo (Ivan), Cesar Mello (Tadeu). E algo que chama atenção nesta novela é a forma de visibilidade dos atores negros, pois a maioria deles aparecem na diariamente na novela, não são apenas figurantes, pois tem papéis delimitados e além da protagonista, Camila Pitanga, a atriz Sheron Menezes que interpreta a advogada Paula vive um romance com o ator negro Cesar Mello, personagem do Tadeu. Além destes, o núcleo negro da novela é morador da favela e as profissões são variadas, a protagonista tem uma barraca na praia, sua mãe é dona de casa, os outros personagens se mesclam entre estudantes e dona de casa, mas alguns nem tem suas ocupações expostas na novela.

    Em comparação com as outras novelas, esta é a que mais apresenta negros em seu elenco, mas isto poderia ser considerado um avanço da emissora SE a novela não se passasseem uma favela do Rio de Janeiro, pois este pequeno detalhe desconstrói todo o sentido da tentativa de inclusão dos negros em telenovelas. Ainda que os negros venham tendo mais acesso a melhores condições de vida, devemos considerar que isto é um processo que ocorre lentamente e que vai demorar um longo período até que a igualdade atinja esta população, para ilustrar melhor a relação que o diretor Dennis Carvalho pode ter feito entre negros e moradores de favela, podemos considerar as seguintes informações:

Ao tomar o conjunto de domicílios em assentamentos subnormais, observa-se que esta proporção se encontra estável no período considerado (em torno de 4%, o que corresponde a, aproximadamente, 2 milhões de domicílios). Destes, apenas 33,9% possuem chefia branca, e por volta de 66% apresentam chefia negra. Os dados mostram ainda que, enquanto o percentual de domicílios em assentamentos subnormais vem diminuindo para os chefes brancos, vem aumentando em especial para aqueles que apresentam chefia de mulheres negras (IPEA,2011. p.31)

    E desta maneira podemos dizer que o diretor da novela optou em apenas reproduzir a realidade, sem se policiar do impacto que isso iria causar para os telespectadores negros, que já assistem a novela conformados com a condição de vida dos negros na atualidade. E algo que não é mostrado na novela em questão é os outros negros moradores de favela que também conseguiram se destacar na vida e que hoje são médicos, engenheiros, professores, jornalista dentre outras profissões de renome.